quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

"O Perfume - História de um assassino" de Patrick Süskind


Olá a todos! 😊

Sobre este livro foi tenho a dizer que vi primeiro o filme e só depois o li. Grande erro.

❌ Não façam isso! ❌

Ao ler o livro parte da magia perdeu-se, pois estava constantemente a rever as personagens do filme. Apesar disso, adorei o livro. A história é genialmente criativa, a escrita é fácil e cativante. Tenho de o reler, sem dúvida.




Para vos situar, a acção desenrola-se no século XVIII em França, e digamos que as condições de higiene não eram boas nem más, simplesmente não existia higiene... O autor descreve toda a história de uma forma que nos desperta o olfato. Sentimos todos os odores, os bons e os maus. 👃 Genial!




A personagem principal deste livro é Jean-Baptiste Grenouille, que possui um dom excepcional: um olfato extraordinário capaz de sentir o que mais ninguém sente. Jean-Baptiste tem outra particularidade, ele próprio não tem qualquer odor. (Whaaat?...) 😲

Grenouille viveu no meio da imundice desde que nasceu, literalmente. A sua mãe trabalhava numa banca de peixe e deu à luz no meio das tripas e do peixe podre. Mais tarde foi condenada por infanticídio, pois descobriu-se que tinha morto todos os seus filhos recém-nascidos... 😱
A vida de Jean-Baptiste não foi fácil, trabalhou arduamente e sem prazeres, sem amigos e sem família. Eventualmente, trabalhou para um perfumista francês, onde aprendeu as bases da criação de perfumes. Um dia, sentiu um odor único e maravilhoso. Era o odor de uma bela jovem que seguiu e matou para poder cheirá-la e guardar na sua memória apurada aquele maravilhoso perfume. Percebeu que a sua memória não era suficiente e teria de guardar os odores em frascos para não se perderem. Matou dezenas de jovens para chegar à essência perfeita. Quando foi descoberto e condenado colocou um pouco do seu perfume perfeito e todo o público, que tinha ido para o ver morrer, deixou de o odiar e então o inesperado aconteceu... Uma orgia gigantesca e louca, o povo estava fora de si. Grenouille percebeu que não o adoravam a ele, mas sim ao perfume. Transtornado com esta ideia, colocou o restante perfume e entregou-se a um grupo de mulheres que ao sentirem aquela fragrância inebriante o devoram ali mesmo, na rua. 😱

Devorado também será este livro, por todos vós que tenham curiosidade de o ler. Maravilhoso! 👏👏

Revi o filme depois de ler o livro e realmente fica muito aquém... Mas, não deixa de ser um bom filme, com actores de peso.





Mas malta, LEIAM O LIVRO! É MARAVILHOSO!


Para mais informações sobre o livro, clicar aqui.

Boas Leituras! 😉

Até Breve,
Ana C.



sábado, 17 de novembro de 2018

"Anti Cancro" de David Servan-Schreiber

Olá a todos!

Hoje venho falar-vos sobre um livro muito importante para mim, sobre uma nova maneira de viver.

Este livro não seria, à partida, do meu interesse pessoal e nunca pensei ler um livro sobre este tema. Mas todos nós, infelizmente, conhecemos alguém com esta doença e cada vez mais isso fará parte das nossas vidas.

Quando pessoas muito próximas de mim foram diagnosticadas com cancro num curto espaço de tempo, confesso que foi como levar um murro no estômago, fiquei sem chão e entrei em pânico. Comecei a ficar paranóica e o medo apoderou-se de mim. Tive medo pela vida deles, e pela minha, pois pareceu-me que esta doença era mais real que nunca, e que afinal (isto vai soar estúpido, mas cá vai...) somos todos mortais. Podemos morrer a qualquer instante. Num segundo o que era tudo, torna-se nada. Claro que já perdi pessoas para esta doença na minha família, mas agora foi ainda mais pessoal, mais próximo e mais assustador. Comprei este livro, e só quando as coisas começaram a acalmar tive coragem de o ler. Felizmente hoje está tudo bem. 🙏




Ler este livro não foi, de todo, fácil. Por vezes sentia o tal nó na garganta e no estômago, e mais do que uma vez me surpreendi a chorar baba e ranho, literalmente. Isto, claro, na parte mais pessoal e emotiva do livro, onde o autor conta a sua própria história. Foi-lhe diagnosticado, aos 31 anos, um cancro agressivo no cérebro, cancro esse que venceu por duas vezes. 💪 Isso mexeu comigo, com as minhas próprias experiências passadas, e fez-me reviver o horror e o pânico. Mas podem passar essa parte e ir para as partes mais técnicas. Eu preferi ler tudo. Gostava que todas as pessoas no mundo não conhecessem esta palavra e não compreendessem o seu significado, mas infelizmente, e cada vez mais, é preciso munirmo-nos com informação e conhecimento sobre este monstro chamado cancro, para tentar prevenir o que, segundo os estudos indicam, será inevitável para a grande maioria de nós (e aqui o nó no estômago acabou de regressar).




Com este livro aprendemos o verdadeiro significado do cancro, como se forma e o que fazer para tentar prevenir que nos bata à porta. O autor, prestigiado médico em ascensão, começou a procurar outras formas de combater o cancro fora da medicina tradicional (o que não foi bem visto por todos, especialmente pelos médicos mais conservadores). Baseando-se em numerosos estudos e pesquisas nas áreas de nutrição e psicologia reuniu informação suficiente para escrever este livro. Aqui está reunido tudo o que considera mais importante para combater o cancro: medicina tradicional aliada à nutrição, psicologia e exercício físico. 

Coloquei vários post-it e fartei-me de sublinhar e tirar notas. É um livro para reler e relembrar quais os bons hábitos para a nossa saúde.

Infelizmente, David Servan-Schreiber morreu em 2011 com 50 anos depois do cancro voltar pela terceira vez. Foi teimoso e persistente e venceu o monstro por duas vezes, mas o cancro dele era realmente muito agressivo e não conseguiu vencer uma terceira. 😢 Quando soube que ele tinha sucumbido ao cancro fiquei devastada. 💔

Não vos vou falar mais sobre o livro. Apenas sugerir que leiam, de forma atenta, e que retenham o maior número de informação possível. Existem outros livros sobre o tema, mas este pareceu-me o melhor.




Hoje foi um post um pouco triste e com um tema desagradável (ninguém quer ouvir falar em cancro, ou que o pode vir a ter, ou até morrer disso, eu sei, desculpem 🙏), mas espero que desperte em pelo menos uma pessoa a vontade de mudar o seu estilo de vida. Eu, pessoalmente, estou a tentar. Não é fácil mudar anos de maus hábitos, mas com foco e determinação conseguiremos ser mais saudáveis. 💪💓

A todos vós que têm entes queridos a passar por este suplício, desejo do fundo do meu coração as melhoras rápidas, que consigam vencer este monstro que se apodera dos seus corpos e que este não volte

Prometo um livro mais animado na próxima vez... 😊

Para mais informações sobre o livro, clicar aqui.

Boas Leituras! 😉

Até Breve,
Ana C.

sábado, 3 de novembro de 2018

"O Processo" de Franz Kafka

Olá a todos!

Hoje venho falar-vos deste clássico distópico da literatura Checa. Tantas pessoas me falaram maravilhas deste livro, que as minhas expectativas só podiam estar altas. 

A verdade é que me desiludiu. Esperava muito mais, e ao ler surpreendia-me a bocejar. Já tinha lido Kafka e adorado, acho que, para mim, o facto de ter as expectativas tão altas arruinou o livro.



Este livro é uma sátira ao sistema judicial. Era comum, naquele tempo, as pessoas serem presas sem saberem o motivo.

É isso que acontece à personagem principal, Joseph K, um bem sucedido funcionário bancário com uma carreira em ascensão. K. vê-se acusado sem lhe ser dito quem o denunciou e qual o motivo da acusação.  Inicialmente julga tratar-se de uma brincadeira, mas aos poucos apercebe-se que a acusação era real e teria de se defender em tribunal. Tudo é surreal nesta história, desde o processo em si, ao Tribunal, aos inspectores e magistrados, à lei e sua interpretação.  Às custas disso, K. desconfia de tudo e de todos, fica perdido num nó de burocracia impossível de desenrolar. E nós, leitores, sentimos toda a ansiedade, o desespero e a impotência que K. sente ao longo da história. Vou só e apenas dizer-vos que a história não acaba bem, e foram as últimas páginas que me cativaram mais.


A história está fantástica, por isso julgo que o que me desiludiu foi a escrita. Só para vos dar mais detalhes, Kafka escreveu O Processo no inicio da Primeira Guerra Mundial, mas morreu antes de o terminar. Então um amigo seu, Max Brod, resolveu editar e publicar o livro. Talvez por isso, algumas coisas parecem ficar por contar.

E claro que houve adaptações ao cinema:


Apesar de eu ter ficado desiludida com o livro, espero ter despertado a vossa curiosidade, e que não se sintam negativamente influenciados. Como referi, este é dos livros mais aconselhados de Kafka, e considerado por muitos o melhor.

Para mais informações sobre o livro, clicar aqui.

Boas Leituras! 😉

Até Breve,
Ana C.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

"O Monte dos Vendavais" de Emily Brontë

Olá a todos!

Se me derem clássicos destes viverei sempre feliz! 😁

Não sou muito de histórias de amor (blah!), no entanto, no que toca a clássicos saboreio cada frase do livro com um prazer enorme. São histórias contadas em tempos tão diferentes do nosso, que é difícil imaginar o que o/a escritor/a pensava e sentia na altura. São pedaços de história. É viajar no tempo e ver como eram a vida e a sociedade antigamente. Maravilhoso. Adoro!

E este foi mais um dos adquiridos na Feira do Livro de Lisboa este ano. E que compra fenomenal!




Este livro é tão rico que se torna impossível resumir sem deixar uma parte interessante de fora. Vou tentar na mesma, correndo o risco deste texto sair maior do que quero.

Para começar posso dizer-vos que o livro está dividido em duas partes.

Primeira Parte:
A história começa a ser narrada pelo Sr. Lockwood, que chega a Thrushcross, propriedade que aluga a um estranho e rude homem chamado Heathcliff, que mora noutra propriedade conhecida por Monte dos Vendavais. O Sr. Lockwood pede à sua governanta Ellen Dean (mais conhecida por Nelly) que lhe conte a história do seu senhorio e a partir daí, salvo raras excepções, passamos a ter Nelly como narradora.
Nelly trabalhou, em tempos, no Monte dos Vendavais para o Sr. Earnshaw. Este adoptou um órfão que encontrou nas ruas, ao qual deu o nome de Heathcliff, indo contra a vontade de seu filho Hindley. Ao contrário do irmão, Catherine ganhou-lhe afeição, e os dois jovens tornaram-se inseparáveis. Heathcliff chamava-a carinhosamente de Cathy. Hindley tornou a vida de Heathcliff num suplício, após a morte dos pais. Mas a verdade é que também a vida de Hindley se tornou penosa, pois a sua esposa morreu e deixou-lhe um filho pequeno, Hareton, mas Hindley afogou-se na tristeza e na mágoa e entregou-se à bebida e ao jogo, negligenciando o filho. Cathy acabou por casar com Edgar Linton, um jovem rico dono de Thrushcross (como poderia ela casar com Heathcliff? Viveriam na penúria. No entanto continuou a amá-lo, eles eram um só). Heathcliff não aguentou e fugiu de coração partido. Quando regressou vinha mudado, rico e pronto a começar a sua vingança. Casou-se com a irmã de Edgar, Isabella, e atormentou a pobre criatura que fugiu ao descobrir que estava grávida. Cathy entretanto morreu ao dar à luz uma menina, de seu nome Catherine.

Segunda Parte:
Começamos com o relato da infância feliz de Catherine junto do seu pai e de Nelly. Heathcliff tornou-se num monstro. Após Hindley perder tudo no jogo, ele ficou com o Monte dos Vendavais e tutor de Hareton, que cresceu um rapaz rude que nem sabia ler. Isabella morreu e Edgar quis educar o sobrinho, Linton, que era um rapaz bastante frágil e doente. Heathcliff, obviamente não o permitiu, e exigiu que o filho lhe fosse entregue. Traçou um plano para casar Linton com Catherine, uma vez que Edgar estava à beira da morte, e Linton não viveria muito tempo, Thrushcross passaria a ser também dele. Conseguiu concretizar toda a sua vingança. Após a morte de Linton, Catherine continuou a viver no Monte dos Vendavais, com o sogro, e este arrendou Thrushcross ao Sr. Lockwood. Aos poucos o comportamento de Heathcliff foi mudando e não vou contar como termina o livro... 😄


Esta é uma história de amor muito forte. Mas também de ódio e vingança. Se no início sentimos pena e carinho por Heathcliif, depressa o sentimento se transforma em repugnância. Ele tornou-se num homem detestável capaz de atrocidades medonhas. Várias vezes Nelly o chama de monstro e demónio, e com razão.

É um livro com muitas emoções fortes, a toda a hora, que não nos dá descanso até ao fim. Tem uma leitura leve e elegante, e lê-se bem rápido. Adorei! 😊

Que pena Emily Brontë não nos ter deixado mais obras.

Este livro é dos que mais adaptações tem. É impressionante. Vi quatro dessas adaptações ao cinema, mas deixo aqui a que mais gostei e a que achei mais fiel:





Espero ter despertado a vossa curiosidade. O livro é fantástico! Assim que tiverem oportunidade, leiam. 😉


Datas a reter:

Emily Brontë, Inglaterra: 1818-1848 (morreu com apenas 30 anos 😢)
O Monte dos Vndavais (Wuthering Heights): Publicado em 1847


Para mais informações sobre o livro, clicar aqui.

Boas Leituras! 😉

Até Breve,
Ana C.

domingo, 23 de setembro de 2018

"Fahrenheit 451" de Ray Bradbury

Olá a todos!

Venho falar-vos do distópico Fahrenheit 451, de Ray Bradbury. Já o queria ler há algum tempo e consegui comprá-lo na Feira do Livro de Lisboa, este ano, por um preço fantástico. 😉



Tinha curiosidade em ler, mas ao mesmo tempo não tinha as expectativas muito altas, o que foi óptimo pois achei o livro fantástico e formidavelmente bem escrito. Lê-se super rápido, a escrita é clara e assertiva

A história desenrola-se à volta da personagem principal, Guy Montag, e da sua evolução enquanto ser RACIONAL




Para vos situar, estamos perante um futuro surreal, onde as casas são totalmente à prova de fogo e os bombeiros servem, não para apagar incêndios, mas para os atear, mais concretamente para queimar livros. Neste cenário, o livre pensamento é totalmente aniquilado e os livros são PROIBIDOS por lei. As pessoas passam o tempo a ver "TV", que manipula e formata as suas mentes.




Montag trabalha há 10 anos como bombeiro julgando que faz o que está certo, até ao dia em que conhece Clarisse, uma jovem adolescente rebelde e de espírito livre que reflecte por si só e não se deixa manipular. Após Clarisse ter questionado Montag se este era feliz, ele começa realmente a pensar no assunto e aos poucos começa a trazer para casa, às escondidas, livros que supostamente devia ter queimado. A sua mulher, Mildred, um ser completamente oco, entra em pânico quando descobre.  Desesperado por aprender, Montag lê e relê os livros mas não consegue compreendê-los.  O seu Capitão, Beatty, desconfiado do desvio de Montag, faz-lhe uma visita e um discurso magnífico, do qual passo a citar a minha parte favorita. "Se não queremos um homem politicamente infeliz, não lhe damos duas respostas e uma pergunta que o preocupem; damos-lhe uma. Melhor ainda, não lhe damos nenhuma. Deixamos que se esqueça que existe uma coisa como a guerra. (...) Temos de dar concursos às pessoas que elas ganhem, recordando as letras das canções mais populares ou os nomes das capitais dos estados ou quanto cereal produziu Iowa no ano passado.Temos de as encher com dados não combustíveis, atravancá-las com tantos «factos» até se sentirem empanturradas, mas absolutamente brilhantes com informação. Então, sentirão que estão a pensar, terão uma sensação de movimento sem se moverem. E ficarão felizes, porque os factos deste tipo não mudam." (Isto soa familiar? Humm..!)




Montag deixa os bombeiros e foge da cidade. Descobre no meio dos campos um grupo de ex-académicos que tentam a todo o custo salvar o conhecimento presente nos livros. O livro termina de forma optimista, o que nos dá uma certa esperança no futuro.




Genialmente bem escrito, o livro prende-nos desde a primeira página. Está assustadoramente actual. É como se fosse uma bofetada de luva branca em todos nós. 👏👏

Claro que teve direito a adaptações para o cinema. Pessoalmente, devo dizer que detestei ambas. 👎 Mas aqui ficam os dois links para os trailers dos filmes:



Espero que tenham gostado. 😉

Para mais informações sobre o livro, clicar aqui.

Boas Leituras! 😉

Até Breve,
Ana C.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

"A Estrada" de Cormac McCarthy

Olá a todos!

Este estava na minha lista há anos. Já tinha ouvido tanta coisa boa a respeito do livro, que simplesmente tinha de o ler. Foi este mês.

Devo dizer que as expectativas estavam bem altas, e quando o comecei a ler não gostei. Demorei 3 semanas a ler 60 páginas... 😲

"O quê? 3 semanas a ler 60 páginas?"

Sim, sim. Achava que a história era enfadonha e os diálogos demasiado "sem sal" e meio forçados. Estava à beira de abandonar a leitura e desistir, quando pensei duas vezes e lhe dei mais uma oportunidade. E ainda bem que o fiz... Devorei 60 páginas nessa noite, e terminei o livro 3 dias depois... "WHAT?" 😲



Bem, e do que trata o livro, afinal? - Perguntam vocês.

A história é bem simples e bem complicada ao mesmo tempo... Um pai e o seu filho, ainda criança, caminham juntos numa estrada nos EUA em direcção à costa, num cenário pós-apocalíptico onde desapareceram todos os animais e as plantas, e onde existem poucas pessoas. As árvores que ainda estão de pé vão caindo aos poucos. É um cenário frio e cinzento. Por diversas vezes, quase sucumbem sem comida e agasalho, exaustos e assustados. Fogem dos "homens maus" que violam, escravizam, torturam e comem (Sim! Afinal sem animais e plantas, e cada vez mais difícil de encontrar latas de conservas e bolachas, o canibalismo ocupou o lugar) quem apanham pelo caminho (visualizei o The Walking Dead várias vezes, confesso, apesar de pouco ter em comum). Nunca sabemos os nomes deles, nem ao certo por onde andam, ou o que aconteceu para o mundo ter ficado assim. Mas a cada página, sentimos o medo, o cansaço, a fome, o desespero, as pequenas alegrias e o amor que os unem. Ansiamos, como e com eles, a chegada à costa. Num cenário como este, ainda existe uma réstea de humanidade presente nestas duas personagens, e em particular na criança. O final é triste, mas cheio de esperança.
Achei que tem uma escrita simples e que nos faz sentir o que as personagens sentem. É um livro de luta, coragem, amor e sobrevivência.

Esta história de início não me cativou minimamente, mas de uma página para a outra mexeu comigo de uma forma que não consigo explicar, por mais que tente. Quero ler mais livros do autor, sem dúvida.



Existe um filme baseado neste livro, em que o pai é interpretado pelo actor Viggo Mortensen e a Charlize Theron também participa no papel de mãe, nas memórias do pai. No início estava céptica, não via como conseguiriam adaptar a história a algo que cativasse o público. Mas entretanto já vi o filme e está muito fiel ao livro. MUITO BOM!

👉  V E J A M !!  👈






Por agora é tudo. Espero que gostem 😉


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Boas Leituras! 😉

Até Breve,
Ana C.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

"Mataram a Cotovia" de Harper Lee

Olá a todos!

É dificil, a nós fervorosos leitores, escolher um livro favorito, mas existem sempre aqueles que mais nos marcaram ou que mais gostamos, e por isso os colocamo-los  na prateleira dos favoritos. E este é, provavelmente, um dos meus livros favoritos de sempre.



A história é narrada pela pequena Jean-Louise Finch, que prefere o nome Scout, uma menina prestes a entrar para a escola, o que dá ao livro uma leveza e uma delicadeza inigualáveis. Scout é "Maria-rapaz" e passa os Verões a brincar com o seu irmão mais velho, Jem, e o amigo Dill.

Inicialmente, a história foca-se nos três amigos a tentar descobrir mais informações sobre um habitante misterioso da cidade, supostamente perigoso e que nunca sai de casa. A curiosidade, inocência e criatividade infantil leva-os a arriscar cada vez mais e a aproximarem-se da casa de Boo Radley. Nesta parte, a escrita de Harper Lee faz-nos sentir a adrenalina das aventuras infantis.

Mais para a frente, a história passa a focar mais o pai de Scout e Jem, Atticus Finch, que é advogado e decide defender em tribunal um homem negro acusado de tentar violar uma mulher branca. A partir daqui tudo parece ficar mais sério. Conseguimos perceber a evolução da pequena Scout, que se apercebe das maldades da sociedade racista em que vive, e vai perdendo aos poucos a inocência e simplicidade, que lhe eram características.

A mãe dos pequenos morreu quando Scout era pequenina, e Atticus educa os filhos de uma forma diferente do que é habitual na altura. Ensina-lhes respeito, civismo, sentido de justiça, e a pensarem por si próprios sem se deixarem levar pelos preconceitos e ignorância da sociedade que os rodeia.



Adorei a forma como Harper Lee escreveu este livro. Tão leve e directa, e tão cheia de sentimento. Por um lado temos a inocência infantil, por outro a seriedade da justiça (ou falta dela) americana. Muito bom. 👍

Quero muito ler "Vai e Põe uma Sentinela", onde Scout, já adulta, regressa de Nova Iorque a Maycomb para visitar o pai. Será certamente muito agradável "rever" a Scout. 😊

Devo dizer que é uma pena Harper Lee não nos ter deixado mais obras.



Existe um filme de 1962 baseado nesta história. Eu primeiro vi o filme e só depois li o livro. Achei o filme muito bom, apesar de haver quem o considere aborrecido. Lamento por acharem isso.

Mas garanto que o livro não é nem um pouquinho chato. 





👉  R E C O M E N D O !!! 👈


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Boas Leituras! 😉

Até Breve,
Ana C.

domingo, 29 de julho de 2018

"Sempre o Diabo" de Donald Ray Pollock

Olá a todos!

Este livro foi-me aconselhado como sendo uma "obra-prima da literatura americana". E claro, as expectativas eram altas.
Pollock estreou-se tarde na arte da escrita, mas valeu a pena, pois foi em grande!




Este livro traz-nos três histórias:

A primeira conta-nos a desgraça de Willard Russel, veterano de guerra atormentado pelas atrocidades testemunhadas no Pacífico Sul, tenta  todo o custo salvar a sua bela mulher de um cancro doloroso. Arrasta o filho, Arvin, para rituais religiosos de sacrifícios de sangue e animais mortos.

A segunda relata-nos as aventuras de Carl e Sandy, um casal incomum de assassinos em série. Sandy é uma pobre empregada de bar e Carl um aspirante a fotógrafo obeso, que gosta de fotografar modelos masculinos com a mulher, para os matar de seguida. Guarda os rolos dessas fotos religiosamente.

A terceira fala-nos do pregador Roy e o seu primo Theodore, fanáticos e criminosos, que se vêem obrigados a fugir e viver de forma precária depois do assassínio cruel e irracional da mulher de Roy.

Todas estas histórias acabam por se cruzar duma forma natural e fluída. Pollock conseguiu dar um Fim genial a todas elas.


É sem dúvida um livro cru, frio, que nos incomoda pela crueldade e violência das personagens, causadas pelo desespero, fanatismo, maldade e ambição.
O título assenta-lhe como uma luva. Ao longo do livro, vamos tendo referências a Deus e à religião, mas parece que o Diabo vence Sempre.

Quem começar a ler, jamais conseguirá parar, até saber qual o fim de cada personagem/história. Incomoda-nos o mal, mas prende-nos o desejo de ver a justiça vencer.

Muito Bom! Imperdível! Inesquecível! Mexe com qualquer um. Eis a genialidade de Donald Ray Pollock. 👏👏👏👏👏



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Boas Leituras! 😉

Até Breve,
Ana C.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

"As Noites das Mil e Uma Noites" de Naguib Mahfouz


Olá a todos!

Estive ausente do blog durante uns tempos, mas não parei de ler...

Um dos livros que li nestes 2 meses foi "As noites das Mil e Uma Noites" do escritor egípcio Naguib Mahfouz, que ganhou o prémio Nobel da Literatura em 1988, tornando-se no primeiro Árabe a consegui-lo. 

Mahfouz não é novidade para mim, a escrita dele é...  mágica! E este livro é mais uma prova disso.


O autor inspirou-se nos famosos contos das "Mil e Uma Noites", pegou no final e criou a sua própria história a partir daí. Super interessante, não? 😉

Começa na manhã seguinte às 1001 noites, em que o sultão Shahryar, encantado com as maravilhosas histórias de sua esposa Sherazade, decide deixá-la viver, para grande alegria de seu pai Dandan, vizir do Sultão, e de todo o bairro onde se passa a acção. Vivem-se tempos de paz, sem perseguições e sem crueldade. No entanto, nem tudo é pacífico. A partir daqui são-nos relatadas as histórias dos habitantes do bairro, contadas individualmente em capítulos.

Cada história remete-nos ao imaginário das 1001 Noites, com génios e demónios a mexer na vida dos personagens, com histórias de corrupção, injustiça e amores arrebatadores.
Claro que não vou contar, nem resumir as histórias, perdia toda a graça, certo?

Devo dizer que fiquei maravilhada com este livro. Adoro este mundo imaginário e, se pudesse, era lá que viveria.


Recomendo a todos, mesmo aos que, como eu, (ainda) não leram as "Mil e Uma Noites". 😉




Para mais informações sobre o livro, clicar aqui.

Boas Leituras! 😉

Até Breve,
Ana C.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

"Terra Sonâmbula" de Mia Couto

Mia Couto é um verdadeiro contador de histórias. A forma como escreve envolve-nos num sonho acordado. É poesia em prosa. É delicioso.

Este livro foi considerado um dos 12 melhores livros africanos do século XX. Está cheio de simbolismo, e retrata na perfeição a devastação da guerra, e o sonho e busca por algo melhor. 



A história começa com o velho Tuahir e o menino Muidinga a caminhar pela estrada até que encontram um "machimbombo" (autocarro) queimado, e passam a fazer dele o seu abrigo. Lá perto encontram um cadáver com uma mala cheia de cadernos (onde Kindzu, o morto, relatou a sua história) que Muidinga começa a ler. A história dos cadernos de Kindzu é-nos contada em paralelo com a história do velho e do menino, fazendo-nos ora recuar ao passado de Kindzu, ora ao presente de Tuahir e Muidinga.
Kindzu relata como fugiu da terra e iniciou a sua aventura pela busca dos Naparamas (guerreiros corajosos e justiceiros) para se lhes juntar. Pelo meio conhece Farida, uma mulher isolada e bela que, por sua vez, lhe conta a sua triste história (e que ele relata nos cadernos) e a quem promete encontrar o filho perdido.
Estes cadernos tornam-se o único alento dos dois amigos, numa terra sonâmbula e sem um futuro promissor.

Um contador de histórias a escrever sobre outro contador de histórias.

Este livro fala-nos de guerra, devastação, sofrimento, procura e amizade. É uma obra de arte. 




Para mais informações sobre o livro, clicar aqui.

Boas Leituras! 😉

Até Breve,
Ana C.